4 de jun. de 2008

Sobre a morte e o morrer
Rubem Alves



O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...” Mas tenho muito medo do morrer.
O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.Mas a medicina não entende.
Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue.
Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12-10-03. fls 3.



Cansei de conviver com pessoas pobres: de espírito, de cultura, de consciência, de idéias... CANSEI, isso é muito chato. Cansei de pessoas com a alma pequena, cansei de pessoas ordinárias...Isso é um SACO.

Muitas coisas têm me intrigado esses dias - e como intrigam!!!Acho muito engraçado como "certas" criaturas desperdiçam tempo falando dos infortunios alheios, são capazes de deixar o que for para poder escutar a "desgraça" alheia - e o pior: uns nem fazem (ou mesmo não conseguem) esconder a alegria pela mesma.

Cansei de pessoas ordinárias e mesquinhas...

Pessoas pobres de espírito, pobres de consciência, pobres de idéia, cultura, objetivo...

São pessoas pobres e podres.Por vezes o apodrecimento da alma deixasse perceber ao exterior...Cansei, descobri-me além disso.

2 de jun. de 2008

Hipocrisia também cansa!!!


Muitas coisas têm me intrigado esses dias - e como intrigam!!!

Acho muito engraçado como "certas" criaturas desperdiçam tempo falando dos infortunios alheios, são capazes de deixar o que for para poder escutar a "desgraça" alheia - e o pior: uns nem fazem (ou mesmo não conseguem) esconder a alegria pela mesma.

Cansei de pessoas ordinárias e mesquinhas...

Pessoas pobres de espírito, pobres de consciência, pobres de idéia, cultura, objetivo...

São pessoas pobres e podres.

Por vezes o apodrecimento da alma deixasse perceber ao exterior...

Cansei, descobri-me além disso.

21 de mai. de 2008

Toracotomia

Toracotomia Aberta Exploradora direita para ligadura de varizes esofagianas medias.Realizada no Hospital Clementino Moura -Socorrão 2.Medicos: Dr. Moares (meu paiiii); Dr. Sidney e Dr. Leandro Toracotomia Aberta Exploradora direita para ligadura de varizes esofagianas medias.

Realizada no Hospital Clementino Moura -Socorrão 2.
Medicos: Dr. Moares (meu paiiii); Dr. Sidney e Dr. Leandro.

Obs: Vídeo realizado com autorização de paciente e familiares.

19 de mai. de 2008

Quando é eterno...


Os sentimentos - bons sentimentos - não podem, nem tão pouco devem ser aprisionados ou ignorados. Todos os bons sentimentos devem ser expressos da forma mais espontânea, sincera e desmedida.
O Amor não pode se limitar a Vida, ao tempo (limitado) de Vida. Deve ser tão forte e seguro ao ponto de fazer com que continuemos felizes e sabermos que, mesmo com a partida (para nós prematura) de quem amamos, o Amor ainda existirá, sem impedir jamais que possamos continuar nossas vidas, fazendo e continuando a fazer o melhor.
O Amor, verdadeiro Amor, nunca acaba, espera incessantemente o oportuno momento em que reencontrará a pessoa amada. Espera mantendo-se vivo, dando continuidade aos planos que forma sonhados.
O Amor não morre, apenas adormece, esperando o momento do rencontro das duas almas apaixonadas.
Enquanto ficamos a espera desse rencontro devemos manter viva dentro de nós a chama da Vida, sem essa não há como sonhar. Não podemos nos entregar aos medos da solidão, tão pouco esconder-nos na obscuridade que a depressão oferece.
O Amor verdadeiro transcede a Vida e a Morte.

18 de mai. de 2008

Ser Mãe


Muitas mulheres apenas têm aberto as pernas , parindo e acham que por isso são mães.
Muitas mulheres acham que por acordar e pegar a comida pronta e colocar na mão do filho são mães.
Muitas mulheres acham que o fato de habitarem na mesma casa de seus filhos, isso as torna mães.
Ser mãe é muito além disso
É ser capaz de abrir mão de algo que lhe custe, em prol do bem-estar do filho
Ser mãe, é ser capaz de disciplinar e educar o filho. Mesmo que seja necessário usar a "vara da correção"
Ser mãe, é ser capaz de reconhecer o erro do filho, e lhe ensinar o certo.
Ser mãe, é estar presente na vida do filho, estar presente fisicamente, espiritualmente, mentalmente.
Ser mãe, é dar colo ao filho quando este o requer.
Ser mãe não é fácil,
Não tem manual de instrução,
E muito pouco ficou para todas as mulheres que abriram as pernas e pariram.

Vida


Resolvi deixar o luto de lado, não que eu não vá mais sentir a falta do Luiz (jamais), mas vou seguir minha vida, como sei que ele também faria.

O luto não combina comigo.

Sou uma pessoa viva, alegre, transpiro alegria e vontade de viver.

Tudo na vida é superável, basta querermos.

Tô realizada profissionalmente, amo minha futura profissão.

Amo meus filhos, olha para eles todos os dias e vejo como é recompensador viver e manter-me assim: VIVA.


Primeira postagem "pós-luto" aguardem as outras...

5 de mar. de 2008

44 Dias

Deus é mesmo muito sábio... inventou o tempo, para poder cicatrizar as feridas que ficam quando perdemos alguém que amamos.
Hoje estava lendo tudo o que escrevi, desde o dia que o Luiz partiu, e vejo como as palavras vão mudando, a dor vai cedendo espaço e lugar a saudade e as boas lembranças...
Quarenta e quatro dias depois, posso falar sobre o que aconteceu sem derramar lágrimas, sem choro, desespero;
Posso falar de tudo o que vivemos, posso falar dele como se ele ainda estivesse aqui, pois é assim que sinto, sinto ele muito próximo. Mas sei que a alma dele está junto a Deus, e é Ele quem tem me dado força e confortado...

Agradeço a Deus por tudo.